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janeiro 27, 2013

Ressignificando

Hoje, 29/10/2012, faz exatamente um ano que "uma" das dores que a vida me apresentou, bateu à porta. Lembro-me naqueles dias, em que, arrastada fui a um sítio lindo com meus filhos. Tinha um lago grande e ajoelhei-me à sua beira, mergulhei minha mão na água fria. Quase com medo, olhei e me vi dentro do lago, e, mesmo naquela água tão límpida, meu reflexo estava distorcido. Era a sombra de um futuro que não existiria mais. Havia ainda tanto daquela vida que não seria vivida dentro de mim. Os bougainvilles coloridos em torno, mesmo belos, estavam vergados, como eu. O sol se pondo, lindo, rabiscando o céu azul com nuances de vermelho e rosa, prenuncio de um entardecer de primavera. Tudo ali era de uma cadência que acariciava a alma, tão diferente da minha vida naquele momento, onde eu buscava desesperadamente encontrar uma simetria. Sentia-me ferida e frágil. E entendi com o tempo que estar ferida e frágil, geram mais ferida e fragilidade.
Sabia que eu era livre para acreditar nas minhas escolhas, e que, o que minhas atitudes mostravam era aquilo em que eu acreditava. Faltava redescobrir no que eu acreditava naquele momento, para fazer as mudanças e recomeçar. Foi o que fiz. Em um dia de chuva forte, desci as escadas da minha casa e parei sob ela. Enquanto os pingos grossos e gelados pareciam furar minha pele e congelar meu sangue, eu pedia a Deus que, por favor, lavasse a dor. Com o tempo, aquela sensação de imperfeição e inutilidade foi dando lugar a mim mesma e percebi que eu começava meu caminho de volta e relembrei aquilo que sempre defendi - todas as decisões nascem daquilo que acreditamos ser, e mostram o valor que damos a nós mesmos.
Eu sabia que em algum lugar dentro de mim estava a verdadeira paz, e que eu não dependia de nada para encontrá-la. Admiti meus erros, me perdoei, libertei a dor e me agarrei à crença que tenho de que não há erro que não possa ser corrigido e nem transgressão que não possa ser perdoada, e, nesse momento, voltei a escutar sons, sentir cheiros, ver cores. Voltei à vida. Ao abandonar a posição de vítima signifiquei aquela dor, ressignifiquei minha vida e segui com a coragem de sempre.
Li certa vez que, em todas as dificuldades, aflição e perplexidade, Cristo chama-nos e suavemente diz: "Meu irmão, escolhe outra vez."
 
Este texto me diz muito... ele é do blog da minha amiga Marcela tenho a impressão que foi escrito para mim. Obrigada amiga. Bjus no coração.

janeiro 22, 2013