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junho 19, 2009

Senhor, tira-me tudo. Menos a esperança."Roque Schneider

"E se o seu Pai ou Mãe, esta noite...
-Tivesse um AVC?
-Que o deixasse hemiplégico (sem conseguir mobilizar metade do seu corpo)?
-Que o deixasse totalmente dependente de terceiros?
-Que o deixasse afásico (sem capacidade para comunicar)?
-Ou seja, que matasse aquela pessoa querida, tal como a conhece hoje?
-Se não tivesse dinheiro para o pôr numa instituição (vulgo "lar")?
-Se tivesse que passar o dia a trocar-lhe a fralda?
-A limpá-lo, a dar-lhe banho?
-A vesti-lo, a levantá-lo, a sentá-lo, a dar-lhe de comer, a deitá-lo?
-Se tivesse que ouvir os seus gritos durante a noite, regularmente?
-Se não tivesse com quem o deixar durante o dia enquanto trabalha?
-Ou pagar a alguém que tomasse conta dele nesse período?
-E tivesse por isso que deixar de trabalhar?
-O que acharia disso o seu cônjuge? E os seus filhos?
-De deixar de trabalhar, empobrecendo o agregado?
-Ou de trabalhar na mesma, deixando o idoso em condições deploráveis?
-E se esse cenário durasse anos?
-Intervalados com alguns internamentos,
por intercorrências diversas da doença?
Se isso lhe acontecesse...
E acontece a alguém todos os dias...
E vai eventualmente acontecer-lhe a si, um dia, noutro dia...
O que seria da sua vida, tal como a concebe agora?
Até que ponto equacionaria a importância que tem, para si,
a vida do seu progenitor?
Essa pessoa que hoje tanto adora?
Versus a sua própria vida, e a do seu agregado familiar?
Que hoje julga ser um dado tão adquirido? Tão estável?"
in "Juramento dos Hipócritas"

O primeiro AVC (hemorrágico) do meu Pai ocorreu há cinco anos. Ficou
hemiplégico e totalmente dependente de terceiros. Após um longo período de
internamente (primeiro num hospital público e, depois, num privado),
regressou ao lar... Cinco anos de tanto investimento em afecto, cuidados,
dedicação, para que pudesse manter alguma qualidade de vida!... Tão
diferente do investimento institucional!...

A única coisa que nos confirmaram, até ao momento, sobre as suas capacidades
é que é sensível à dor! Claro que sim! E aos carinhos, à presença amorosa
dos que o visitam (esposa, sempre presente, filhos, netos, irmãos...), às
palavras de conforto, às histórias... Afásico, comunica, no entanto,
pacificando ou mostrando dor e, não raro, lemos já o seu olhar...

Mantém a esperança, meu Pai, e que o teu Anjo da Guarda vele por ti durante
o tempo em que não podemos ficar junto ao teu leito!...

“Escrito por Filha às 16h55

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